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Degenerescência macular: a principal causa de perda de visão após os 55

A DMI afeta a visão central e instala-se devagar. Explicamos os primeiros sinais, quem está em risco e um teste simples que pode fazer em casa todas as semanas.

Medical Óptica3 min de leitura
Pessoa idosa a tentar ler um jornal junto a uma janela

A degenerescência macular da idade é uma doença que muita gente só conhece quando aparece na família — e é, em Portugal, a principal causa de perda de visão grave depois dos 55 anos.

O que é a mácula

A retina reveste o fundo do olho e converte luz em sinal nervoso. No seu centro há uma zona pequena, com poucos milímetros, chamada mácula.

É a mácula que nos dá a visão de detalhe: ler, reconhecer uma cara, enfiar uma linha na agulha, distinguir as cores. Toda a restante retina serve para perceber o que está à volta, mas sem definição.

Na degenerescência macular da idade, é esta zona central que se deteriora. A periferia mantém-se — daí a doença ser muito incapacitante sem nunca provocar escuridão total.

As duas formas

Seca, responsável pela larga maioria dos casos. Há acumulação de depósitos sob a retina e atrofia progressiva das células. Evolui devagar, ao longo de anos. Não tem tratamento curativo.

Húmida, menos frequente mas muito mais agressiva. Formam-se vasos sanguíneos anómalos que extravasam líquido e sangue sob a mácula. Pode causar perda significativa em semanas ou meses — mas tem tratamento eficaz com injeções intraoculares, sobretudo se iniciado cedo.

Esta diferença é a razão pela qual os sintomas súbitos exigem observação rápida.

Sinais a que estar atento

  • Linhas retas que parecem onduladas — o sinal mais característico
  • Mancha turva ou escura no centro da visão
  • Dificuldade a ler, mesmo com boa iluminação
  • Necessidade de mais luz do que antes para as mesmas tarefas
  • Cores menos vivas ou diferentes entre os dois olhos
  • Demora a adaptar ao entrar num espaço com pouca luz
  • Dificuldade a reconhecer rostos a uma distância que antes era suficiente

Um pormenor traiçoeiro: se apenas um olho está afetado, o outro compensa e a pessoa não nota. Muitos casos são descobertos por acaso, ao tapar um olho.

O teste que pode fazer em casa

Chama-se grelha de Amsler e é uma quadrícula com um ponto no centro. Faz-se assim:

  1. Com os óculos de leitura, a cerca de 30 centímetros
  2. Tapar um olho
  3. Fixar o ponto central com o olho descoberto
  4. Sem desviar o olhar do ponto, reparar nas linhas à volta

As linhas devem parecer todas retas, contínuas e igualmente espaçadas. Se alguma parecer ondulada, esbatida ou em falta, é motivo para avaliação.

Repetir com o outro olho. Quem tem risco elevado deve fazer o teste semanalmente — leva menos de um minuto e é assim que se apanha a forma húmida a tempo.

Quem está em risco

  • Idade acima dos 55 anos, sendo o risco crescente com as décadas
  • História familiar, que é dos fatores de maior peso
  • Tabagismo, o principal fator de risco modificável — fumar multiplica substancialmente o risco
  • Hipertensão arterial e doença cardiovascular
  • Obesidade e alimentação pobre em vegetais
  • Exposição solar acumulada sem proteção
  • Olhos claros

O que se pode fazer

Não há forma de garantir que não acontece, mas há muito a reduzir o risco:

  • Não fumar. É a medida isolada com maior impacto.
  • Comer vegetais de folha verde escura — espinafres, couve, agrião. São ricos em luteína e zeaxantina, os pigmentos que a mácula usa.
  • Peixe gordo duas vezes por semana, pelos ácidos gordos ómega-3.
  • Proteger dos ultravioleta ao longo da vida.
  • Controlar tensão arterial e peso.
  • Fazer avaliação visual regular a partir dos 50.

Sobre suplementos: existem formulações com evidência em fases intermédias de DMI, mas são para casos concretos e sob indicação médica. Não é algo para tomar por rotina preventiva.

O que fazemos

O diagnóstico e o tratamento da DMI são competência médica. Numa avaliação em ótica podemos detetar alterações na visão central, sinalizar distorção e encaminhar para oftalmologia com urgência quando os sintomas o exigem.

Se tem mais de 55 anos, se há casos na família, ou se notou que as linhas retas lhe parecem tortas, marque uma avaliação. Na forma húmida, semanas fazem diferença.

Perguntas frequentes

Qual é o primeiro sinal da degenerescência macular?

Habitualmente a distorção das linhas retas — o caixilho de uma porta ou as linhas de um azulejo parecem ondulados. Pode também surgir uma mancha central turva, dificuldade acrescida a ler mesmo com boa luz, ou necessidade de mais tempo para os olhos se adaptarem ao entrar num sítio escuro.

A degenerescência macular leva à cegueira total?

Não. A DMI afeta a mácula, responsável pela visão central e de detalhe, mas a visão periférica mantém-se. Isso significa que a pessoa perde a capacidade de ler, reconhecer rostos e conduzir, mas continua a orientar-se no espaço. É uma perda muito incapacitante, mas não é escuridão total.

A degenerescência macular tem tratamento?

Depende do tipo. A forma húmida, menos comum mas de evolução rápida, tem tratamento eficaz com injeções intraoculares que travam a progressão — e quanto mais cedo se começa, melhor o resultado. A forma seca, mais frequente e lenta, não tem tratamento curativo, mas há suplementação com indicação médica em casos específicos.

Cuide da sua saúde ocular

Uma avaliação visual completa é o primeiro passo para detetar alterações antes de darem sintomas. Marque a sua consulta.