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Lentes de contacto na praia e na piscina: o que evitar

Nadar com lentes de contacto é um dos hábitos de verão com mais risco para os olhos. Explicamos porquê e o que fazer em alternativa, sem ter de abdicar de ver bem.

Medical Óptica3 min de leitura
Superfície de uma piscina ao sol, com reflexos de luz na água

O verão traz uma pergunta que ouvimos quase todos os dias em loja: posso ir à água com as lentes postas? A resposta curta é não. A resposta longa vale a pena conhecer, porque explica o que está realmente em jogo.

Porque é que a água e as lentes não se dão

Uma lente de contacto assenta diretamente sobre a córnea e é feita de um material que absorve líquido. Quando entra em contacto com água, tudo o que essa água transporta fica retido entre a lente e o olho — e fica lá durante mais tempo do que ficaria se não houvesse lente nenhuma.

Isto aplica-se aos três cenários de verão:

  • Piscina: o cloro irrita a superfície ocular e altera o filme lagrimal, deixando o olho mais seco e mais vulnerável. E o cloro não elimina tudo.
  • Mar: água salgada, areia em suspensão e microrganismos naturais do meio.
  • Rio, lago ou tanque: o cenário de maior risco, por ser água parada e não tratada.

O perigo que preocupa os profissionais chama-se queratite, uma infeção da córnea. É pouco frequente, mas quando acontece é séria e pode deixar sequelas na visão. A grande maioria dos casos associados a lentes de contacto tem origem em contacto com água.

O que fazer em alternativa

Nenhuma destas opções obriga a passar o verão a ver mal:

  • Óculos de natação graduados. A solução mais simples e a que mais recomendamos a quem nada com regularidade. Existem em graduações padrão e também por medida.
  • Óculos de natação normais por cima de nada, retirando as lentes antes de entrar. Vê-se pior fora de água, mas o olho fica protegido.
  • Óculos de sol graduados para quem está na praia mas não entra na água — resolve a visão e a proteção ultravioleta ao mesmo tempo.

Se usa lentes diárias e a ida à água for inevitável, retire-as e deite-as fora imediatamente a seguir. Nunca as volte a colocar.

Outros cuidados que fazem diferença no verão

O calor traz um conjunto de fatores que, somados, deixam os olhos mais sensíveis do que no resto do ano:

  • Ar condicionado no carro e em casa, que resseca o filme lagrimal.
  • Vento e areia, que irritam mecanicamente a superfície do olho.
  • Mais horas ao ar livre, com mais exposição ultravioleta.
  • Protetor solar que escorre para os olhos, causando ardor.

Ter lágrimas artificiais na mala de praia resolve grande parte do desconforto. Lavar as mãos antes de mexer nas lentes — sempre, mas sobretudo com areia por perto — evita a maioria dos problemas.

Quando é que se deve procurar ajuda

Há sinais que não devem ficar à espera de passar sozinhos:

  • Dor ocular que aumenta em vez de aliviar
  • Vermelhidão intensa num só olho
  • Sensibilidade à luz marcada
  • Visão turva que não melhora depois de retirar a lente
  • Secreções

Perante qualquer um destes, retire as lentes e procure avaliação. Na Medical Óptica avaliamos a superfície ocular e encaminhamos para oftalmologia sempre que a situação o justifica.

Antes das férias, uma revisão rápida da sua adaptação e do estado das lentes evita a maior parte destes sustos. É uma consulta curta e faz diferença.

Perguntas frequentes

Posso nadar com lentes de contacto?

Não é aconselhável, nem no mar nem na piscina. A água — mesmo a tratada — contém microrganismos que ficam retidos entre a lente e a córnea, e a lente funciona como uma esponja que prolonga esse contacto. O risco principal é uma infeção da córnea, que pode ser grave.

E se as lentes forem diárias descartáveis?

São a opção menos má, porque se deitam fora imediatamente a seguir, mas continuam a não ser seguras dentro de água. Se acontecer entrar na água com lentes diárias, retire-as e deite-as fora assim que sair, e humidifique os olhos com lágrima artificial.

O que faço se sentir o olho irritado depois de nadar?

Retire as lentes, não volte a usá-las nesse dia e não coce o olho. Se a vermelhidão, a dor ou a visão turva persistirem mais do que algumas horas, procure avaliação — dor intensa, sensibilidade à luz e perda de visão são sinais que exigem atenção rápida.

Cuide da sua saúde ocular

Uma avaliação visual completa é o primeiro passo para detetar alterações antes de darem sintomas. Marque a sua consulta.