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Tensão ocular: o exame rápido que pode salvar a sua visão

Medir a pressão dentro do olho demora segundos e não dói. É o principal fator de risco modificável do glaucoma — e a razão pela qual deve fazer parte de qualquer avaliação depois dos 40.

Medical Óptica3 min de leitura
Equipamento de medição da pressão intraocular numa sala de exames

No centro da conversa sobre glaucoma está um exame simples. Demora segundos, não dói, e mede o único fator de risco da doença sobre o qual conseguimos atuar.

O que é a pressão intraocular

O olho não é uma bola oca. No seu interior circula um líquido transparente chamado humor aquoso, produzido continuamente e drenado por uma estrutura na zona onde a íris encontra a córnea.

Em condições normais, produção e drenagem equilibram-se e mantêm uma pressão estável — é ela que dá forma ao olho e permite que a ótica funcione.

Quando a drenagem falha, o líquido acumula-se e a pressão sobe. E é aí que começa o problema.

Porque importa

O excesso de pressão exerce força sobre as estruturas internas do olho, nomeadamente sobre as fibras do nervo ótico — o cabo que leva a informação visual ao cérebro.

Essas fibras, uma vez danificadas, não regeneram. A perda é definitiva.

Como o dano começa pela periferia do campo visual e o outro olho compensa a zona em falta, a pessoa não dá por nada durante anos. Quando repara, já perdeu uma parte significativa e irrecuperável.

Baixar a pressão intraocular é, até hoje, o único tratamento com eficácia comprovada para travar o glaucoma. Daí a importância de a medir.

Valores e o que significam

O intervalo considerado normal situa-se entre cerca de 10 e 21 mmHg, mas os números isolados dizem menos do que parece:

  • Há pessoas com 24 mmHg que nunca desenvolvem lesão — chama-se hipertensão ocular e vigia-se.
  • Há pessoas com 16 mmHg que desenvolvem glaucoma de pressão normal, porque o seu nervo ótico é mais vulnerável.
  • A espessura da córnea influencia a medição: uma córnea grossa dá leituras mais altas do que a pressão real, e uma córnea fina dá leituras mais baixas.

Por isso a pressão nunca se interpreta sozinha. Interpreta-se com a observação do nervo ótico, o campo visual e a história da pessoa.

Como é medido

Em ótica, o método habitual é o tonómetro de sopro. A pessoa apoia o queixo, olha para um ponto e recebe um jato de ar muito curto contra o olho. O equipamento mede a deformação da superfície e calcula a pressão.

Não toca no olho, não exige anestesia e está feito em segundos. Mede-se tipicamente os dois olhos e repete-se para garantir consistência.

Em contexto médico usa-se também a tonometria de aplanação, considerada o método de referência, que requer anestesia tópica.

Quem deve medir e com que frequência

  • Todos os adultos, como parte de uma avaliação visual de rotina
  • A partir dos 40 anos, anualmente e sem exceção
  • Com histórico familiar de glaucoma, mais cedo e com maior frequência — ter um familiar direto com glaucoma multiplica o risco
  • Miopia ou hipermetropia elevadas
  • Diabetes
  • Uso prolongado de corticoides, sob qualquer forma
  • Traumatismo ocular prévio

O que fazemos e o que não fazemos

Uma ótica não diagnostica glaucoma. O que fazemos é medir a pressão, avaliar o campo visual, acompanhar a evolução ao longo do tempo e encaminhar para oftalmologia quando os valores ou o campo visual o justificam.

Na prática, somos muitas vezes o sítio onde alguém descobre pela primeira vez que tem a pressão alta — sem nunca ter sentido nada. É esse o valor de um exame que demora segundos.

Na Medical Óptica medimos a tensão ocular e fazemos campos visuais. Se tem mais de 40 anos e nunca mediu, ou se já não mede há mais de um ano, marque uma avaliação. É das coisas mais simples que pode fazer pela sua visão.

Perguntas frequentes

Medir a tensão ocular dói?

Não. O método mais usado em ótica é o tonómetro de sopro, que envia um jato de ar muito breve contra a superfície do olho e mede a resposta. Não toca no olho e não precisa de anestesia. É desconfortável durante uma fração de segundo, sobretudo pelo efeito surpresa, e nada mais.

Tensão ocular alta significa que tenho glaucoma?

Não necessariamente. Pode existir hipertensão ocular sem qualquer lesão do nervo ótico, e existe glaucoma com pressão dentro dos valores normais. A pressão elevada é o principal fator de risco, não o diagnóstico — este exige avaliação do nervo ótico e do campo visual por um oftalmologista.

A tensão ocular tem alguma relação com a tensão arterial?

São coisas distintas. A tensão ocular é a pressão do líquido dentro do olho e nada tem a ver com a pressão do sangue nas artérias. Ter tensão arterial controlada não diz nada sobre a pressão intraocular, e vice-versa — são medidas independentes.

Cuide da sua saúde ocular

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