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Terapia visual: para que serve e a quem se destina

Há problemas visuais que os óculos não resolvem, porque não são de graduação mas de coordenação. Explicamos o que é a terapia visual, em que casos tem indicação e o que envolve.

Medical Óptica4 min de leitura
Criança a fazer um exercício de coordenação visual com um profissional

Há uma categoria de queixas visuais que não se resolve com óculos, porque o problema não está na graduação. Está na forma como os olhos trabalham em conjunto, focam e se movimentam.

É para isso que existe a terapia visual.

Ver bem não é só ter boa graduação

Uma pessoa pode ter dez décimos em cada olho e ter, ainda assim, uma visão funcionalmente má.

A visão depende de três sistemas que têm de trabalhar em conjunto:

  • Focagem — a capacidade de tornar nítida uma imagem à distância a que ela está, e de a manter assim
  • Coordenação binocular — os dois olhos apontarem exatamente para o mesmo ponto, o que permite a visão de profundidade
  • Movimentos oculares — seguir um objeto em movimento, e saltar de palavra para palavra ao ler

Se qualquer um destes falha, a pessoa vê bem numa tabela de letras e sofre na vida real.

Que problemas trata

Insuficiência de convergência. Os olhos têm dificuldade em manter a convergência ao perto. É dos casos mais frequentes e dos que melhor respondem. Provoca cansaço a ler, visão dupla ocasional, dores de cabeça e perda de linha.

Problemas de acomodação. Dificuldade em focar ao perto, ou em mudar rapidamente de perto para longe. Sente-se sobretudo ao copiar do quadro.

Ambliopia — olho preguiçoso. Um olho que não desenvolveu a visão normalmente. A terapia visual complementa outros tratamentos, e é tanto mais eficaz quanto mais cedo se começa.

Estrabismo. Em casos selecionados e como complemento, não como substituto de tratamento médico ou cirúrgico quando este está indicado.

Dificuldades de leitura de origem visual. Perder a linha, saltar palavras, reler o mesmo período várias vezes — quando a causa é de motricidade ocular e não de aprendizagem.

Sinais que fazem suspeitar

Numa criança:

  • Evita ler ou cansa-se muito depressa a ler
  • Perde a linha, salta palavras, usa o dedo para acompanhar
  • Aproxima-se muito do papel
  • Fecha ou tapa um olho para se concentrar
  • Queixa-se de visão dupla, mesmo que raramente
  • Dores de cabeça ao fim do dia de aulas
  • Rendimento escolar abaixo do que seria de esperar pela capacidade
  • Dificuldade a apanhar bolas ou a calcular distâncias

Num adulto:

  • Cansaço visual acentuado ao computador
  • Visão dupla ao fim do dia
  • Dificuldade em manter a concentração na leitura
  • Necessidade de reler frequentemente

Um pormenor importante: uma criança com estas queixas passa muitas vezes no rastreio escolar sem problema, porque esse rastreio avalia a acuidade visual ao longe — e isso pode estar perfeito.

Como funciona

A terapia visual é um programa de exercícios personalizados que treina os sistemas em causa. Não são exercícios genéricos de internet: são prescritos em função do que a avaliação encontrou e progridem em dificuldade.

O programa tem tipicamente:

  • Avaliação inicial detalhada, que identifica exatamente o que falha
  • Sessões regulares acompanhadas, onde se trabalham as competências e se ajusta a progressão
  • Exercícios diários em casa, de poucos minutos, que são o motor do processo
  • Reavaliações periódicas, para medir o progresso objetivamente

A duração varia com o caso — algumas semanas a alguns meses.

O que decide o resultado

O cumprimento em casa. É o fator que mais pesa.

As sessões acompanhadas orientam e corrigem, mas a alteração produz-se pela repetição frequente. Um programa bem feito e mal cumprido não dá resultado, e um programa cumprido dá quase sempre.

Nas crianças, isto significa que o envolvimento dos pais é parte do tratamento.

O que a terapia visual não faz

Sejamos claros, porque há muita informação exagerada por aí:

  • Não corrige miopia, hipermetropia nem astigmatismo. Dependem da forma do olho, e nenhum exercício a altera.
  • Não substitui óculos quando há graduação a corrigir.
  • Não trata dislexia. Pode ajudar se houver um problema visual associado, mas a dislexia tem origem no processamento da linguagem, não na visão.
  • Não cura doença ocular.

Onde tem indicação, funciona bem e com evidência. Fora disso, não.

Como saber se é caso

Se o seu filho evita ler, se se queixa de cansaço ou de visão dupla, ou se o rendimento escolar não corresponde à capacidade dele, vale a pena avaliar a função visual — e não apenas a acuidade.

Na Medical Óptica fazemos essa avaliação e programas de terapia visual. Marque uma consulta e percebemos se é este o caminho.

Perguntas frequentes

A terapia visual serve para deixar de usar óculos?

Não. A terapia visual não corrige miopia, hipermetropia nem astigmatismo, porque esses dependem da forma do olho e nenhum exercício a altera. O que trata são problemas de coordenação entre os dois olhos, de focagem e de movimentos oculares — coisas que os óculos, sozinhos, não resolvem.

Quanto tempo dura um programa de terapia visual?

Varia com o caso, mas tipicamente algumas semanas a alguns meses, com sessões regulares e exercícios diários em casa. O cumprimento em casa é determinante: é a repetição frequente que produz a alteração, e não apenas as sessões acompanhadas.

A terapia visual é só para crianças?

Não. É mais frequente em crianças, porque muitos destes problemas se manifestam na aprendizagem, mas os adultos também beneficiam — sobretudo em insuficiência de convergência, que é comum em quem passa muitas horas ao computador.

Cuide da sua saúde ocular

Uma avaliação visual completa é o primeiro passo para detetar alterações antes de darem sintomas. Marque a sua consulta.