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Com que frequência deve fazer um exame visual?

A resposta muda com a idade, com o que já tem e com o histórico familiar. Um guia claro por faixa etária e por situação, para saber quando é que já está atrasado.

Medical Óptica3 min de leitura
Sala de exames de optometria com equipamento e cadeira de observação

Há uma pergunta que ouvimos em loja quase todos os dias: de quanto em quanto tempo é que devo cá vir?

A resposta não é a mesma para toda a gente. Depende sobretudo da idade e do que já tem.

Por idade

Bebés e crianças até aos 3 anos. Observação básica nas consultas de vigilância do pediatra, que deteta alterações estruturais evidentes.

3 a 4 anos. A primeira avaliação visual completa, mesmo sem queixas. É nesta janela que se apanha a tempo a ambliopia — o olho preguiçoso — que responde muito melhor ao tratamento enquanto o sistema visual está em desenvolvimento.

Idade escolar, 6 aos 18. A cada um a dois anos. Anualmente se já usar graduação, e de seis em seis meses se for míope e a graduação estiver a subir.

Adultos, 18 aos 40. De dois em dois anos, se não houver queixas nem fatores de risco. Anualmente se usar lentes de contacto.

A partir dos 40. Anualmente, sem exceção. É a idade em que surge a presbiopia e em que o risco de glaucoma começa a subir — e a partir da qual a medição da pressão intraocular deve ser rotina.

A partir dos 65. Anualmente, com atenção acrescida a cataratas, degenerescência macular e glaucoma.

Situações que encurtam o intervalo

Independentemente da idade, deve ir com mais frequência quem tiver:

  • Diabetes — exame da retina anual obrigatório, mesmo vendo bem
  • História familiar de glaucoma — vigilância mais precoce e mais frequente
  • Miopia elevada — maior risco de descolamento de retina e glaucoma
  • Hipertensão arterial ou doença cardiovascular
  • Uso prolongado de corticoides, sob qualquer forma
  • Utilizador de lentes de contacto — pelo menos uma vez por ano
  • História familiar de degenerescência macular
  • Traumatismo ocular anterior ou cirurgia ocular prévia

Sinais que não esperam pela data marcada

Há sintomas para os quais não se marca consulta "para daqui a uns tempos":

Urgência no próprio dia:

  • Perda súbita de visão, mesmo que temporária
  • Flashes de luz ou aumento repentino de moscas volantes
  • Sombra ou cortina a avançar no campo visual
  • Dor ocular intensa com náuseas, vómitos e visão turva
  • Visão dupla que surge de repente
  • Traumatismo com objeto no olho

Avaliação em poucos dias:

  • Visão que piorou de forma notória
  • Dores de cabeça frequentes ao fim do dia
  • Linhas retas que parecem onduladas
  • Dificuldade crescente a conduzir à noite
  • Vermelhidão que não passa ao fim de alguns dias

Porque não esperar por sintomas

É o ponto de fundo de tudo isto. As três principais causas de cegueira irreversível em Portugal — degenerescência macular, retinopatia diabética e glaucoma — têm em comum não darem sintomas na fase em que ainda há muito a ganhar.

O glaucoma começa pela periferia, e o outro olho compensa. A retinopatia progride com visão central intacta. A degenerescência macular instala-se devagar.

Quando a visão dá sinal, a perda já aconteceu e não se recupera. É esta a razão de existir o exame de rotina — não é excesso de zelo, é a única forma de apanhar estas doenças a tempo.

O que é uma avaliação completa

Não é apenas medir graduação. Uma avaliação em condições inclui:

  • Acuidade visual ao longe e ao perto
  • Refração, para determinar a graduação necessária
  • Avaliação da coordenação entre os dois olhos
  • Capacidade de focagem
  • Medição da pressão intraocular
  • Observação da superfície ocular e das pálpebras
  • Avaliação do campo visual, quando indicado

E, sempre que algo o justifique, encaminhamento para oftalmologia.

Se está atrasado

Se leu isto e percebeu que já passaram três, quatro ou mais anos desde a última avaliação, não é caso para dramatizar — é caso para marcar. Na maioria das pessoas está tudo bem e o resultado é apenas uma graduação atualizada.

O problema é a minoria em que não está. E essa não dá sinal nenhum.

Marque a sua avaliação na Medical Óptica. Demora menos tempo do que julga.

Perguntas frequentes

Se vejo bem, preciso mesmo de fazer exames?

Sim. As doenças que mais causam perda de visão irreversível — glaucoma, retinopatia diabética e degenerescência macular — não afetam a visão nas fases iniciais. Ver bem não é prova de que está tudo bem; é apenas prova de que ainda não houve dano na zona central.

De quanto em quanto tempo devo ir depois dos 40?

Anualmente. É a partir dos 40 que aumenta o risco de glaucoma e que surge a presbiopia, e é a idade a partir da qual se recomenda medir a pressão intraocular todos os anos. Antes dos 40, e sem fatores de risco, de dois em dois anos é suficiente.

As crianças precisam de exames mesmo sem queixas?

Sobretudo sem queixas. As crianças não sabem que veem mal porque não têm termo de comparação, e alguns problemas — como a ambliopia — só respondem bem ao tratamento se detetados cedo. A primeira avaliação completa deve ser feita por volta dos 3 a 4 anos.

Cuide da sua saúde ocular

Uma avaliação visual completa é o primeiro passo para detetar alterações antes de darem sintomas. Marque a sua consulta.